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"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

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domingo, 29 de janeiro de 2017

JOÃO SANTANA DIZ À LAVA JATO QUE DILMA O ALERTOU SOBRE PRISÃO




O marqueteiro João Santana afirmou ao Ministério Público Federal que recebeu recados da então presidente Dilma Rousseff de que seria preso pela Operação Lava Jato. A afirmação consta das suas negociações para fechar um acordo de delação premiada.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, Santana teria atribuído o recado a um aliado a pedido da então presidente. Já a revista Veja afirma que o marqueteiro disse a interlocutores não saber se o alerta foi redigido por Dilma ou um assessor dela. Ele teria confirmado, porém, que a fonte do alerta seria o Palácio do Planalto.

Santana e sua mulher, Mônica Moura, foram responsáveis pelas campanhas presidenciais de Lula, em 2006 e de Dilma, em 2010 e 2014. Eles são investigados por suposto recebimento de dinheiro da empreiteira Odebrecht na Suíça. O casal foi preso em fevereiro de 2016 na Operação Acarajé, 23.ª fase da Lava Jato. Na época, estavam na República Dominicana, trabalhando na campanha presidencial daquele país. Eles voltaram ao Brasil e se entregaram à Polícia Federal.

O casal ficou preso até agosto, quando pagou fiança de cerca de R$ 31 milhões e deixou carceragem da PF em Curitiba. Nesta época, seus advogados deram início a negociações com os promotores da Lava Jato para viabilizar uma delação premiada, na qual contariam o que sabem sobre o envolvimento de terceiros em atividades criminosas em troca de benefícios no cumprimento de eventual pena.

As negociações, porém, não prosperaram, já que a Lava Jato obteve informações sobre pagamentos irregulares a Santana no exterior por outras fontes. As menções ao suposto recado do Planalto teriam sido feitas para convencer os procuradores de que o casal tem informações ainda inéditas a revelar.

Procurada, a assessoria de imprensa da ex-presidente informou que ela não pretende comentar as reportagens. O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo considerou a notícia “absurda”. “É absolutamente inverossímil que a presidenta tenha dado qualquer aviso desses até porque nem ela e nem eu tínhamos essas informações privilegiadas sobre operações da Polícia Federal”, afirmou.

Domingo, 29 de Janeiro de 2017 ás 14hs00

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

"NINGUÉM DESEJA SER O RELATOR DA LAVA JATO", DIZ GILMAR MENDES




O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes afirmou nesta quinta-feira (26) que "ninguém deseja ser relator da Lava Jato" porque isso "tumultua a vida de todos".

"Evidentemente, qualquer um que for designado relator terá que assumir. Não se pode dizer que lá não está. Apenas isso. [Mas] Acho que ninguém deseja ser relator da Lava Jato", afirmou, após uma palestra em São Paulo.

A declaração foi dada um dia depois de o ministro ter dito que, se fosse nomeado relator, atuaria com "mesma naturalidade que decide todos os processos".

Segundo o magistrado, o próprio ministro Teori Zavascki, morto em acidente aéreo na quinta (19), que relatava o caso, dizia não gostou de ter assumido a tarefa.

"A rigor, isso tumultua a vida de todos e desorganiza por completo o gabinete, que passa a ser concentrado nesse tipo de matéria", afirmou Mendes.

Ele não quis opinar sobre como a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, deve redistribuir a relatoria.

Mendes também evitou falar sobre a nomeação de um substituto para o cargo de Zavascki.

Questionado sobre texto escrito pelo candidato mais cotado ao posto, o presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Ives Gandra Filho, o ministro do Supremo afirmou que "vai ter polêmica sobre qualquer candidato". "Sempre foi assim, em tese. Isso permite que se faça uma boa seleção".

Em artigo de 2012, Gandra Filho havia dito que "a mulher deve obedecer e ser submissa ao marido" e "casais homoafetivos não devem ter os mesmos direitos dos heterossexuais; isso deturpa o conceito de família".

O presidente do TST divulgou nota contestando reportagens sobre artigo e dizendo que os textos descontextualizam sua obra jurídica.

Na nota, Martins Filho diz não ter "postura nem homofóbica, nem machista". "Diante de notícias veiculadas pela imprensa, descontextualizando quatro parágrafos de obra jurídica de minha lavra, venho esclarecer não ter postura nem homofóbica, nem machista", diz.

O presidente do TST afirma deixar claro no artigo, de 70 páginas, "que as pessoas homossexuais devem ser respeitadas em sua orientação e ter seus direitos garantidos, ainda que não sob a modalidade de matrimônio para sua união".

No artigo de 2012, Gandra Filho escreveu ainda: "Além disso, das uniões homoafetivas, derivam direitos que devem ser tutelados pelo Estado, conforme antes mesmo da decisão proferida pelo STF já vinha ocorrendo, mormente em questões patrimoniais."

Eleições

Durante sua palestra, Gilmar Mendes, que também é presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), criticou a reforma eleitoral que aboliu o financiamento privado de campanhas e a redação da lei da Ficha Limpa -voltou a repetir que ela parecia ter sido escrita por um bêbado.

Conhecido por ser crítico ao PT, também reclamou da postura do ex-presidente Lula nas eleições de 2010 -segundo ele, "inaugurava até poste" para promover a então chefe da Casa Civil Dilma Rousseff.

Indagado pelo mediador do evento sobre a politização do STF, ele disse que a Corte também tem um papel político, embora não seja partidário. "O presidente do Supremo tem uma função política exemplar", disse.

Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2017 ás 11hs45