Terça-feira,
08 de outubro ás 22:00
Mensagem
"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)
Ja temos 2 membro, seja o terceiro do
terça-feira, 8 de outubro de 2019
De que lado você está? Apoia a Polícia ou prefere defender os criminosos?
Pode
ser uma coisa que muita gente acha desagradável ouvir, e por isso é melhor
dizer logo, para não gastar o tempo do leitor com prosa sem recheio. É o
seguinte: os brasileiros fariam um grande favor a si mesmos se tomassem a
decisão de ficar, com o máximo de clareza e na frente de todo mundo, a favor da
polícia. Isso mesmo: a favor da polícia, e da ideia de que cabe exclusivamente
a ela, numa democracia que queira continuar viva, o direito de usar a força
bruta para manter a ordem, cumprir a lei e proteger o cidadão. Tem, também, a
obrigação legal de fazer tudo isso.
Algum
problema? É exatamente assim em todos os regimes democráticos. Eis aí, na
verdade, uma afirmação evidente em si mesma; pode ser entendida sem a menor
dificuldade após um minuto de reflexão.
Mas
estamos no Brasil, e no Brasil o que parece ser um círculo, por exemplo, é
muitas vezes considerado um triângulo, ou um quadrado, ou qualquer outra coisa
que não seja o diabo do círculo.
TUMULTO
MENTAL – No momento, justamente, passamos por um desses surtos de tumulto
mental. Segundo o entendimento de boa parte daquilo que se considera o “Brasil
pensante”, “civilizado” ou “moderno”, nosso grande problema não é o crime, mas
a polícia.
Parece
bem esquisito pensar uma coisa dessas, num país com mais de 50 000 assassinatos
por ano e índices de criminalidade que estão entre os piores do mundo. Onde
esses pensadores estão vendo o problema de que tanto falam? Vai saber. Os
verdadeiros mistérios desse mundo não são as coisas invisíveis, e sim as que se
podem ver muito bem.
No
caso, o que se pode ver com a clareza do meio-dia é a fé automática de boas
almas e mentes num mandamento que ouvem desde crianças: o criminoso brasileiro
é sempre “vítima das desigualdades sociais”, e o policial está errado, por
princípio, quando usa a força contra ele.
BOM
TRATAMENTO – O dever do policial, como agente do Estado, seria tratar os
bandidos como cidadãos que precisam de ajuda, para que tenham oportunidade de
entender por que não deveriam matar, roubar, estuprar e assim por diante. Será
que esse jeito de pensar é alguma tara que nos sobrou do regime militar, quando
polícia e liberdade eram coisas opostas? De novo: não se sabe.
Praticamente
todos os dias há exemplos claros desse curto-circuito geral na capacidade de
separar o certo do errado. O cidadão é assaltado, brutalizado, ferido ─ e no
dia seguinte lê, ouve ou vê mais uma reportagem denunciando a polícia por algum
erro, real ou imaginário.
Ainda
há pouco, o país teve oportunidade de testemunhar políticos, intelectuais e
“celebridades” em geral, com a colaboração maciça da mídia, colocando a polícia
no banco dos réus por reprimir bandos de marginais que vão para a rua
decididos, treinados e equipados para destruir.
CLIMA
DE VIOLÊNCIA – Segundo essas excelentes cabeças, a polícia cria um “clima de
violência” e de “provocação” que “força os ativistas” a se defenderem
“previamente”. Para isso, veem-se obrigados a incendiar bancas de jornal,
destruir carros, quebrar vitrines de loja e por aí afora.
Esse
tipo de julgamento vai se tornando mais e mais aceitável no Brasil de hoje.
Deve ser maior do que se pensa o número de pessoas que não querem ter a
tranquilidade de sua fé perturbada por fatos ou por conhecimentos; além disso,
cabeças em que não há ideias são sempre as mais resistentes a deixar alguma
ideia entrar nelas.
Quanto
à imprensa, rádio e TV, acreditem: o que mais gostam de fazer é falar as mesmas
coisas, pois se sentem mais seguros quando um repete o outro e todos atiram nos
mesmos alvos. Alguém já viu, por exemplo, algum jornalista arrasando o técnico
do Olaria?
HÁ
DOIS LADOS – Não há sete lados nesse debate. Só há dois, um que está a favor da
lei e o outro que está contra ─ e aí o cidadão precisa dizer qual dos dois ele
realmente apoia. O primeiro é a polícia. O segundo é o que leva o crime para a
rua. A única pergunta relevante, num país que tem uma Constituição em vigor, é:
de que lado você está?
Não
vale dizer “depende”, ou declarar-se a favor da ordem, desde que a tropa se
comporte com altos níveis de civilidade, seja muito bem-educada, fale inglês e
não bata nunca em ninguém, nem cause nenhum incômodo físico a quem esteja
jogando coquetéis molotov na sua cara, ou sacando armas contra ela.
A
questão real é apoiar hoje a polícia brasileira que existe hoje ─ não dá para
chamar a polícia da Dinamarca, por exemplo, para substituir a nossa, ou tirar a
PM da rua e só chamá-la de volta daqui a alguns anos, quando estiver
suficientemente treinada, preparada e capacitada a ser infalível.
UMA
REALIDADE – É mais do que sabido que a polícia do Brasil tem todos os vícios registrados
no dicionário, de A a Z. Mas, da mesma maneira como não é possível fechar todos
os hospitais públicos que funcionam mal, e só reabri-los quando forem uma
maravilha, temos de conviver com a realidade que está aí. É indispensável
transformá-la, mas não dá para exigir, já, uma corporação armada que precise
ter virtudes superiores às nossas.
A
polícia, por piores que sejam as condutas individuais dos seus agentes e seus
níveis de competência, é uma peça essencial para manter a democracia no Brasil e
impedir a tirania daqueles que só admitem as próprias razões.
É
a polícia, na verdade, o que a população brasileira tem hoje de mais concreto
na garantia de seus direitos. Alguém pode citar alguma força mais eficaz para
impedir que o Congresso, o STF e o próprio Palácio do Planalto sejam invadidos,
metidos a saque e incendiados?
PRINCIPAL
DEFESA – A PM está do lado do bem ─ goste-se ou não disso. No mundo das
realidades, é ela a principal defesa que o cidadão tem para proteger sua vida,
sua integridade física, sua propriedade, sua liberdade de ir e vir, o direito à
palavra e tudo o mais que a lei lhe assegura. A autoridade policial já erra o
suficiente quando falha ao cumprir quaisquer dessas tarefas. Não faz nexo
criticá-la nas ocasiões em que acerta.
Não
serve a nenhum propósito útil, igualmente, dar conforto ao inimigo ─ o que
nossa elite pensante, como dito anteriormente, faz o tempo todo. O inimigo não
vai deixar de ser seu inimigo; você não ganhará sua admiração, nem será deixado
em paz. É um desafio à lógica, neste sentido, achar que delinquentes teriam a
licença de armar-se para assegurar seu direito de “legítima defesa” contra a
repressão policial.
A
lei brasileira, com todas as letras, diz que só a polícia tem o direito de
portar armas, e de utilizá-las no combate ao crime e na defesa do cidadão ─
salvo em casos excepcionais, que exigem licença específica. Dura lex sed lex,
claro.
SIMPLES
SENSATEZ – Mas não é só uma questão legal. Trata-se de simples sensatez. No
caso dos atos de protesto ─ qual o propósito de levar para a rua mochilas com
bombas incendiárias, estiletes, barras de ferro e outros artefatos desenhados
unicamente para machucar? Por que alguém precisaria de qualquer dessas coisas
para expressar suas opiniões em praça pública?
O
Brasil vem se acostumando nos últimos anos à ideia doente de que mostrar
simpatia diante da delinquência e hostilidade diante da polícia é uma questão
de princípio ─ uma atitude socialmente avançada e politicamente progressista.
Quem
não pensa assim é visto como um homem das cavernas, extremista e inimigo da
democracia. Mas é o contrário: opor-se ao crime e apoiar a polícia é ficar a
favor da liberdade. Está na moda denunciar, com apoio da caixa de amplificação
da imprensa, delitos como a “pregação do ódio”, “apologia do crime” ou
“incentivo ao racismo”.
ALGO
DE ERRADO – Esse mesmo tribunal, entretanto, aplaude como uma forma superior de
cultura popular os rappers que pregam abertamente, em suas músicas, o
assassinato de policiais. Há alguma coisa muito errada nisso aí.
Está
na hora de deixar claro: é falso acusar de “histeria” e outros pecados mortais
quem não acredita, simplesmente, que no Brasil de hoje existe algum assaltante
que rouba e mata porque está com fome ou tem de sustentar sua família; o que há
é gente que quer satisfazer todos os seus desejos sem ter de trabalhar ou de
respeitar o direito alheio. Em Cuba, regime-modelo para nosso governo, são
chamados de sociopatas e enterrados na cadeia mais próxima, sem que a
“sociedade” seja chamada a “debater” coisa nenhuma.
Deus
não precisou da ajuda dos brasileiros para criar o Brasil. Mas, como diria
Santo Agostinho, só poderá nos salvar se tiver o nosso consentimento.
José
Roberto Guzzo (Veja)
Terça-feira,
08 de outubro ás 12:00
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
MDB defende “renovação”, mas elege filhos de políticos para comandar o diretório nacional
Com
a promessa de renovação, o MDB elegeu neste domingo, dia 6, o deputado Baleia
Rossi (SP) como seu novo presidente nacional em uma executiva nacional com
forte presença de filhos de políticos tradicionais da sigla. A escolha de Rossi para comandar o partido
ocorreu numa convenção nacional realizada em Brasília.
À
frente de uma chapa única, o parlamentar foi eleito com 311 dos 319 votos — no
total, 209 pessoas participaram da votação, sendo que as regras estabelecem que
algumas podem votar mais de uma vez. Rossi assume um partido com grande
capilaridade nos estados e municípios, mas que viu sua força no Congresso
Nacional reduzida nas eleições de 2018.
PERDAS
– Embora tenha se mantido como a legenda com o maior número de senadores, a
bancada na Casa caiu de 19 para 12 parlamentares. Além do mais, o MDB perdeu a
presidência do Senado para Davi Alcolumbre (DEM-AP). Na Câmara, os prejuízos
foram ainda maiores: de 51 deputados para 34. “Precisamos nos reinventar e
encarar os nossos erros. Precisamos fazer diferente. Mas temos que reconhecer
que temos uma história maravilhosa, de luta pela democracia”, declarou Rossi.
Apesar
de reivindicar uma renovação, o novo comando do partido é integrado por
parentes de antigas lideranças ou por pessoas ligadas a elas. O próprio novo
presidente do MDB, deputado federal desde 2015, é filho de Wagner Rossi,
ex-ministro da Agricultura do governo Dilma Rousseff.
TUDO
EM FAMÍLIA – Dois outros integrantes da executiva nacional têm situação
semelhante: Daniel Villela, eleito terceiro-vice-presidente, é filho do
ex-governador de Goiás, Maguito Vilela. E o secretário-geral da sigla, deputado
Newton Cardoso Jr., é filho do ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso.
Na
mesma linha, os diretórios estaduais do partido continuam nas mãos de figuras
históricas do MDB, como as famílias Picciani (Rio de Janeiro), Barbalho (Pará)
e Calheiros (Alagoas).
“RADICALISMOS”
– Em seu discurso, o novo presidente do partido fez ainda um apelo contra
“radicalismos” e defendeu as forças de centro — o presidente da Câmara, Rodrigo
Maia (DEM-RJ) e o presidente do PSDB, Bruno Araújo, participaram da convenção
dos emedebistas.
Baleia
Rossi reconheceu ainda que o MDB pagou um preço diante da opinião pública por
ter integrado todas as administrações no país nas últimas décadas, e disse que
o partido precisa “viver sem participar do governo”. “Não precisamos de governo
para sobreviver porque o MDB é muito maior do que isso”, argumentou. Apesar das
declarações, o atual ministro da Cidadania, Osmar Terra, é filiado ao MDB.
(Folha de São Paulo)
Segunda-feira,
07 de outubro ás 12:00
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