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"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

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quinta-feira, 21 de maio de 2020

ELE OMITIU DA AGENDA ENCONTRO COM DELEGADO QUE CHEFIARIA PF DO RIO


O presidente omitiu de sua agenda oficial o encontro que teve com o delegado da Polícia Federal Carlos Henrique Oliveira de Sousa, que na época havia sido escolhido pela PF para comandar a Superintendência do Rio de Janeiro. Esse encontro foi revelado pelo próprio Carlos Henrique em depoimento prestado ontem, mas não consta em nenhum dia da agenda presidencial do segundo semestre de 2019, segundo levantamento feito pelo Globo.

No depoimento, Carlos Henrique narra ter sido levado ao Palácio do Planalto pelo delegado Alexandre Ramagem, diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para conhecer Bolsonaro. Ramagem era o nome escolhido pelo presidente para comandar a PF em substituição ao diretor-geral Maurício Valeixo, mas o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes vetou essa nomeação, por entender haver “desvio de finalidade”.

No segundo semestre, a agenda de Bolsonaro registra dez reuniões com a presença de Ramagem, mas nenhuma delas com a presença de Carlos Henrique. Desses encontros, três deles foram a sós entre Ramagem e Bolsonaro. Não há registro de qualquer agenda de Carlos Henrique Oliveira com o presidente.

As  interferências indevidas do presidente Bolsonaro na PF do Rio de Janeiro são alvo de um inquérito em andamento no Supremo Tribunal Federal, que apura se o presidente tinha interesse em interferir em investigações em andamento contra familiares e aliados. O delegado Carlos Henrique Oliveira, que hoje ocupa o cargo número dois na hierarquia da PF, foi ouvido duas vezes nessa investigação.

Segundo fontes da PF, na época do encontro, Carlos Henrique Oliveira havia sido anunciado pela corporação como o novo superintendente do Rio, mas a sua nomeação no Diário Oficial estava travada por uma resistência de Bolsonaro. Isso porque, em agosto do ano passado, o presidente tentou indicar um nome sua confiança para o cargo, mas houve resistência interna da PF. A corporação não quis nomear o indicado por Bolsonaro e escolheu Carlos Henrique para chefiar a PF do Rio.

Em 15 de agosto, a PF soltou uma nota anunciando o seu nome para o cargo, mas a nomeação demorou meses para sair no Diário Oficial.

Entre outubro e novembro, ainda sem sua nomeação definida, Carlos Henrique foi levado por Ramagem para o encontro com Bolsonaro. Segundo interlocutores, Ramagem viabilizou o encontro para que Bolsonaro conhecesse o futuro superintendente da PF do Rio e, com isso, diminuísse a resistência com a indicação de seu nome. De acordo com fontes da PF, o então ministro da Justiça Sergio Moro só foi informado do encontro depois que ele ocorreu.

A agenda presidencial registra encontros a sós entre Ramagem e Bolsonaro em 2 e 7 de novembro. Esse período coincide com o relato feito por Carlos Henrique, de que esteve em Brasília próximo ao final do curso de formação de policiais federais quando foi levado ao Planalto por Ramagem. A cerimônia de encerramento desse curso foi em 8 de novembro.

Pouco tempo após o encontro, a nomeação de Carlos Henrique foi destravada. O decreto de nomeação foi publicado no Diário Oficial da União em 21 de novembro.

A reportagem questionou a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto na noite de ontem sobre a omissão ao encontro com Carlos Henrique, mas não houve resposta até a publicação desta matéria.

Em seu primeiro depoimento, Carlos Henrique havia omitido sua relação com Ramagem. Por isso, ele pediu aos investigadores para ser ouvido novamente. Neste segundo depoimento, o delegado revelou que foi levado ao encontro com Bolsonaro por Ramagem.

 “Havia um convite prévio do delegado Alexandre Ramagem para que o depoente comparecesse numa audiência com o presidente Jair Bolsonaro”, relatou no seu depoimento. Segundo Carlos Henrique, o então ministro da Justiça Sergio Moro e o então diretor-geral da PF Maurício Valeixo foram informados do convite e autorizaram o encontro, mas não participaram da reunião.

“A reunião ocorreu no Palácio do Planalto, tendo participado apenas o depoente, o delegado Alexandre Ramagem e o presidente Jair Bolsonaro”, afirmou.

Segundo seu relato, Bolsonaro contou sobre sua trajetória política, mas não falou sobre investigações em andamento na Superintendência do Rio.

*O Globo

Quinta-feira, 21 de maio, 2020 ás 07:10

quarta-feira, 20 de maio de 2020

A ORIGEM DAS MILÍCIAS DIGITAIS



Passou da hora de elucidar o funcionamento deste esquema criminoso, capaz de vencer eleições e manipular a opinião pública

A história começa com um magnata norte-americano chamado Robert Mercer, dono de um fundo de investimentos que utilizava algoritmos e modelos matemáticos para prever o futuro e fazer seus clientes ainda mais ricos. Ou melhor, começa com a associação de Mercer com outra figura das sombras, Steve Bannon, ex-executivo do Goldman Sachs que vociferava ideias fascistas nas redes sociais. Juntos, decidiram usar seus conhecimentos e fortunas para incidir politicamente. Nasceu daí uma empresa chamada Cambridge Analytica.

Com ela armaram um grande esquema de Big Data com o objetivo de manipular os resultados de diversos processos eleitorais. O Brexit e a eleição de Donald Trump foram os pioneiros. O primeiro passo da operação foi coletar de forma ardilosa os dados de cidadãos em celulares e redes sociais, sem que eles soubessem, por meio de aplicativos, enquetes ou de testes do tipo quizz. Assim, com questionários ingênuos, milhões de pessoas deixaram dados sobre seus traços de personalidade, desejos e medos.

Com esses dados em mãos, eles utilizaram técnicas de segmentação comportamental, definindo o perfil psicológico dos eleitores. O cruzamento com os dados que deixamos nas redes sociais, a cada curtida ou comentário, formava um conjunto que permitiu catalogar as pessoas em diferentes “caixas psicológicas”. Os rastros digitais nos revelam. Esse método não foi inventado pela Cambridge Anaytica. Já era utilizado há muito tempo como estratégia de mercado, para levar a mercadoria certa ao cliente certo. Começou com os planos de saúde nos EUA. A novidade da Cambridge foi aplicá-la em larga escala, violando a privacidade e para finalidade eleitoral.

A partir dessa operação, tornou-se possível personalizar a mensagem política. A segmentação permitia definir qual tipo de conteúdo cada eleitor receberia, aquele que melhor se adequava à sua história digital.  Não é mais receber o mesmo santinho, ver a mesma placa, assistir à mesma propaganda.

Para uma senhora diabética, a mensagem vai falar sobre o preços de medicamentos. Para um homem que pesquisou cercas elétricas para sua casa, mensagens sobre violência, medidas de segurança pública. Ou, na versão brasileira, para uma senhora evangélica, mensagens sobre o kit gay e mamadeira de piroca. Não foram todos que as receberam. Apenas aqueles que teriam maior propensão de acreditar.

O modelo da Cambridge contou ainda com uma estratégia de intoxicação informativa. Para isso, Mercer adquiriu, antes das eleições dos EUA, o portal de notícias Breibarth News, onde eram ancoradas as narrativas em que seriam distribuídas as informações aos eleitores. Os links, com ar de seriedade, eram depois disparados nas redes sociais.

Estamos falando de uma estratégia sofisticada de comunicação política. Algo que alguém tão limitado como Carluxo jamais teria condições de imaginar. Sim, a operação veio pronta, sob medida, para uso do bolsonarismo. Carluxo é apenas um gestor na ponta.
A milícia digital bolsonarista constituiu-se de forma profissional em 2018, na pré-campanha à Presidência. Um dos momentos mais visíveis de sua formação foi a greve dos caminhoneiros. Ali houve uma coordenação para incidir naquele processo. Mensagens personalizadas eram criadas e a vinculação de Bolsonaro com a greve começou a tomar as redes sociais. Foi um “laboratório”, um experimento do que viria pela frente e segue rolando.

A partir da base fornecida pela rede de extrema-direita internacional, desenvolveram técnicas de controle de narrativa. Cria-se um fato, não importa se é verdadeiro, e fazem um ataque sincronizado para o “fato” começar a circular nas redes. Usam sites de “jornalismo fake”, ao estilo do Breibarth nos EUA, para difundir uma notícia distorcida ou falsa. E criam mensagens personalizadas de Twitter, Facebook, Instagram e WhatsApp. Ao fim, usam os bots (robôs) e serviços de mensagem automática para ampliar o alcance. Funciona. Ganharam uma eleição desse modo e há um ano e meio governam com base nisso.

Passou da hora de as autoridades elucidarem o funcionamento desse esquema. A omissão do Tribunal Superior Eleitoral custa um preço alto ao País. A negligência das plataformas nas violações de privacidade e no bloqueio de disparos criminosos segue permitindo a manipulação da opinião pública pela milícia digital.

Hoje há três grandes dúvidas a serem esclarecidas. Primeiro, quem financia? Há dinheiro público? Segundo, quem oferece a tecnologia? Por fim, onde estão os servidores que segmentam as mensagens e organizam os disparos? É muito provável que, no dia em que encontrarmos a resposta, o governo atual caia.

* Carta Capital.

Quarta-feira, 20 de maio, 2020 ás 10:00


terça-feira, 19 de maio de 2020

NA MIRA DO INQUÉRITO, ELE MUDA O TOM PARA NÃO ATRAPALHAR RELACIONAMENTO



Diante de negociação avançada com o bloco parlamentar conhecido como Centrão, o presidente Jair Bolsonaro foi obrigado a mudar o tom do discurso na manifestação favorável ao seu governo realizada na Praça dos Três Poderes, em Brasília, no domingo (dia 17/05).

Dessa vez, houve cuidado até mesmo de seguranças do Palácio do Planalto para evitar faixas com mensagem antidemocráticas. Mesmo assim, vários apoiadores (Milicianos) seguravam cartazes e faixas em defesa do fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Integrantes do Centrão ouvidos pelo blog avaliam que Bolsonaro fez um gesto de aproximação política com o bloco, num momento em que precisa ter uma base de segurança no Congresso Nacional para barrar um eventual processo de impeachment ou mesmo uma denúncia por parte da Procuradoria Geral da República (PGR).

A avaliação no próprio Centrão é de que a situação de Bolsonaro na investigação de interferência política na Polícia Federal ficou mais complicada após entrevista do empresário Paulo Marinho à “Folha de São Paulo”.

Ao jornal, o empresário afirmou que o senador Flávio Bolsonaro foi avisado que a PF realizaria uma operação e que o ex-assessor dele Fabrício Queiroz seria um dos atingidos.

 “O novo tom de Bolsonaro, sem ataques ao Congresso, não é por acaso. No momento em que está negociando apoio com deputados, ele não poderia ficar atacando o Congresso. Isso seria fatal para essa negociação”, disse ao blog um líder de uma das legendas do Centrão.

O Planalto iniciou a distribuição de cargos e está negociando a liberação de emendas para conseguir formar uma base de 250 deputados.

*Folha

Terça-feira, 19 de maio, 2020 ás 11:00